19 de fevereiro de 2015
AMÉRICA – O Time dos Sonhos do Amadeu
Terminado o campeonato de 1972, quando o nosso futebol já começava a dar sinais de declínio, com a ausência de público nos estádios, a imprensa local anunciava um jogo entre seleção de importados para enfrentar o campeão da cidade, o Nacional, com a manchete mais ou menos assim “O time dos Sonhos do Amadeu”.
Era um jogo caça-níqueis com o time formado por jogadores de outros centros e que estavam atuando no futebol amazonense. A promoção foi um fiasco na parte financeira, porque disputado pela parte da manhã, num dia de forte calor, o torcedor não compareceu ao velho estádio do Parque Amazonense, totalmente às moscas.
Era comum, a cada final de temporada, a realização da chamada “Prova de Fogo”, reunindo o time campeão e uma seleção formada pelos jogadores dos outros clubes, também um caça-níquel, com o objetivo de premiar os atletas campeões.
A renda era dividida entre os preliantes. Quer dizer, ganhavam os campeões e os não campeões. O “Time dos Sonhos do Amadeu”, porque nesse dia, além de orientar a equipe dos “importados”, foram utilizadas as camisas vermelhinhas do América Futebol Clube e ainda de quebra, o baixinho e bom jogador Ruy, na época considerado um dos melhores meios-de-campo do nosso futebol e o ponteiro Nildo, também na faixa dos melhores no nosso futebol.
O público não prestigiou a festa e por conseqüência a arrecadação foi ínfima. Na hora da divisão alguns trocados para cada jogador, a despeito dos bons valores que garbosamente vestiam a camisa rubra do sempre esforçado Amadeu Teixeira, só deram mesmo para o refrigerante. Tão decepcionante a arrecadação que nunca mais pensaram em outra realização do mesmo tipo, porque até os árbitros e auxiliares tiveram que se contentar com a metade das cotas ajustadas.
DE ONDE ERAM
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TARCISO do Rio Negro, era zagueiro vindo do futebol paulista depois de boa passagem pelo Palmeiras, direto para o Nacional, estreando contra o Rio Negro em agosto de 1970. Depois de jogar pelo Rio Negro retornou ao futebol paulista. Até 1999 residia no interior de São Paulo e sem boa condição financeira;
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DISSICA – não era importado. Formou no time para colaborar, pois o goleiro convidado (Carlos Henrique, do Rio Negro), não apareceu. Dissica era titular no São Raimundo. Atual presidente da FAF;
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BRITO veio do futebol carioca para a Rodoviária. Um zagueiro de raça e boa categoria. Chegou a participar da seleção do Amazonas em 1970, na inauguração do “Vivaldo Lima” e depois foi embora;
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ZÉ MARIA, quarto zagueiro que veio do futebol paraense para a Rodoviária. Terminando seu contrato, foi para o futebol de Rondônia;
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VANDERLEY, lateral esquerdo contratado pelo Rio Negro. Daqui saiu direto para o Corinthians paulista onde atuou com relativo destaque, mas por pouco tempo;
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RUY, sempre jogou pelo América. Veio do interior e por aqui ficou. Andou pisando em espinhos por muito tempo e sem qualquer condição, passando por maré muito baixa, numa humilde casa no bairro de São Francisco, até partir;
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NILDO chegou a Manaus com credencial depois de passar pelo futebol cearense. Alistou-se no América e foi um dos bons valores no campeonato de 1972, embora já veterano. Ficou em Manaus, trabalhando como taxista. Faleceu aqui no final de 2004;
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BEL da Rodoviária, meia-armador veio de Rondônia bom cartaz para defender o Nacional. Depois passou pelo São Raimundo e Rodoviária;
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MARCOS PINTADO do Fast, veio do futebol pernambucano para o Rio Negro, mas não foi muito feliz. Andou por outros clubes de Manaus, inclusive Rodoviária;
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AMIRALDO do América, foi grande cartaz no futebol de Santarém e aqui confirmou suas qualidades. Jogou no Sul América, São Raimundo e América. Ficou em Manaus trabalhando como construtor de obras;
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ANÍZIO do Rio Negro, ponteiro esquerdo carioca que veio para o Rio Negro, para voltar após três temporadas em Manaus.

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